No dia 1º de agosto, um funcionário terceirizado que atuava como operador de empilhadeira matou três colegas a facadas dentro da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo (SP).
Segundo o G1, testemunhas relataram à imprensa que o agressor sofria bullying no ambiente de trabalho. Em nota, a Bombril confirmou as mortes, repudiou o ato, informou que está prestando assistência às famílias e disse que colabora com as investigações.
Por que canais de ética às vezes não funcionam
O caso reacende uma discussão mais ampla: ter um canal de ética no papel não garante que problemas graves sejam identificados a tempo. Entre os motivos mais comuns para essa falha estão:
- Falta de confiança no processo: Se denúncias nunca geram investigações, o canal passa a ser visto como só um formulário burocrático.
- Cultura que normaliza o problema: Em ambientes onde humilhação ou pressão excessiva são tratadas como “parte do trabalho”, a vítima pode nem reconhecer aquilo como algo denunciável.
- Canal pouco divulgado ou visto como não-independente: Se ninguém sabe como usar o canal, ou não confia na sua independência, ele simplesmente não é acionado.
- Treinamento genérico e sem exemplos práticos: Quando o treinamento é cheio de “juridiquês” e distante do cotidiano, os funcionários não aprendem a reconhecer, na prática, o que deve ser denunciado.
O que isso significa para as empresas
Cultura de integridade não se resume a ter um canal de denúncias disponível. Ela exige escuta ativa, treinamentos com linguagem clara e exemplos do dia a dia, resposta visível às denúncias recebidas e um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar antes que a situação chegue a um ponto de crise.
O caso Bombril, ainda em apuração, é um lembrete de que a distância entre ter um canal de ética e ele realmente funcionar pode ser enorme — e que fechar essa distância exige mais do que cumprir uma exigência de compliance.
O papel do treinamento na implantação do canal de ética
Um dos pontos mais decisivos para que um canal de ética funcione na prática é o treinamento oferecido durante sua implantação. A Fale Seguro, por exemplo, inclui um treinamento prático como parte desse processo — com linguagem acessível e exemplos do cotidiano das empresas, para que gestores e colaboradores realmente saibam reconhecer situações que merecem ser denunciadas e como usar o canal com confiança. O resultado é um treinamento constantemente elogiado tanto por empresários quanto por colaboradores.
Além disso, a empresa recebe uma gravação profissional desse treinamento, que pode ser reutilizada no onboarding de novos funcionários — garantindo que a cultura de integridade continue sendo reforçada mesmo à medida que o time cresce, sem depender de repetir o treinamento presencial a cada nova contratação.

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